O time de futebol do Sem Recurso voltou as atividades após muito tempo parado devido as restrições da pandemia. A última partida em ritmo acelerado havia sido em 10 de março de 2020 (após isso ocorreram 3 amistosos desfigurados pelo covid) e o principal questionamento era de que maneira a equipe iria se comportar após longa pausa.
Na formação da plantel, houveram algumas novidades. O técnico Fernando Ramos 40 pediu a conta, causando grande estranhamento por todos os setores do clube, desde o garoto dagua até a presidência. Para abafar o zumzumzum logo foi feita a substituição no cargo pelo lesionado atleta Paulo Vó, que assumiu de forma interina, mantendo contrato por produtividade. Nas quatro linhas foi adicionado a lista dos relacionáveis o simpático Caio Quini, um voltante de bom passe e marcação. E por último, quem resolveu dar o ar da graça foram o atacante Hugo, já membro do time, porém com promessa de em 2022 ser figura carimbada e o beque trombador Inácio trator.
O jogo do retorno foi marcado pelo secretário Flavio (em 2022 começa a aparecer seu serviço) contra o já conhecido time do Baldi FC. A direção não queria surpresas logo de cara então decidiu se por um adversário conhecido de todos.
O Professor Vózão (como os atletas estão chamando) armou o time titular da seguinte forma:
ET, Cegão, Bunda, Diogo e Pelé Branco, Barduco, Sem Sintoma, Thales e Daniel, Tiago Donini e Hugo.
No banco de suplentes: Carlinhos, Lunardi, Manolo, Inácio, Caio, Maffia e Felipe.
Beto (lesionado), Flavio (lesionado) e Coelho (aposentado) auxiliaram nas desinstruções e no consumo de cerveja.
Um fato curioso que ocorreu antes ainda do inicio do jogo, antes ainda do dia do jogo foi que o atleta numeral 51, a lenda esportiva Bruno Zé Griffo "Pelé Branco" se embreagou na noite anterior e já vestiu o uniforme todo branco e dormiu fardado para a peleja.
A partida:
Deu gosto assistir o impressionante futebol executado pelo Sem Recurso após tanto tempo sem nem treinar junto. O entrosamento está no sangue dos atletas semrecursenses e os passes, finalizações e posicionamentos que estavam adormecidos pelo covid, foram acordados pelos incentivos dos amigos em campo, pelo som do quique da bola, pela voz do professor na lateral, pelo estufar da rede em gols.
A equipe fez a bola girar, a zaga estava postada firme e os atacantes seguravam o jogo la na frente. O volante Sem Sintomas (Sem Sintonia segundo o técnico ainda se acostumando) jogou demais, impediu várias tentativas de controle do jogo por conta do time do Baldi FC e também soube sair tocando a bola. O zagueiro bunda por sua vez salvou o Sem Recurso de levar 2 gols, em lances de raça e controle espacial fino. Hugo mostrou que sabe jogar, se posiona, pede a bola, orienta seus parceiros.
Os gols saíram naturalmente: o primeiro em cruzamento de Thales batendo perfeito escanteio para forte e indefensável cabeceio do monstro sagrado Diogo, o melhor zagueiro de Botucatu. Dali pra frente o goleador raçudo apareceu: Thiago Donini, o artilheiro da equipe. Foram 3 gols em sequencia, primeiro em oportunidade por lambança da defesa oposta, apertou o zagueiro, antecipou e dividiu bola recuada pro guarda redes, venceu a disputa aos trancos e barrancos e ficou com gol aberto para anotar seu gol. Em momento mais a frente, em cobrança de falta próxima a área, o velhaco Hugo aproximou de Cegão e orientou "não adianta vocês acharem que sabem bater falta pro gol, poe de lado, faz a jogada que é melhor". Cegão apenas obedeceu, executou jogada pelo flanco direito com Caio, resultando em cruzamento para o homem que cheira gol, Thiago, que cabeceou no travessão, a bola voltou aos seus pés, pra enfim guardar mais um. O primeiro tempo se encaminhando pro final, o técnico Vó já havia iniciado um rodizio com os atletas do banco, colocou o volante/meia Maffia. Em sua primeira bola, se aproximando dos atacantes, surpreende alçando a bola com a lateral de fora de seu pé direito, deixando o avançado Thiago Donini mais uma vez de fronte a meta do Baldi FC, finalizando para o placar de 4 x 0 no primeiro tempo. Ainda deu tempo de a zaga adversária quase ampliar contra, com o zagueiro abaixando ao chão para recuar de cabeça para seu goleiro, porem acertando a trave, num ridículo lance, lembrando muito várias lambanças esdruxulas protagonizadas em distantes partidas pelos atletas do Sem Recurso FC.
O intervalo foi uma festa! Placar de 4x0, toque de bola e marcação funcionando, nada poderia ser melhor para celebrar o aniversariante do dia, ninguém menos que o presidente do clube, Daniel Toledo.
Latas de cerveja foram abertas, a mente já estava em mais 2 ou 3 gols e no pós jogo do bar do Caipira.
Mas a bola pune. O inacreditável aconteceu, o que parecia improvável, o que muitos diriam ser impossível lamentavelmente ocorreu: a virada no placar.
Pro segundo tempo o Professor Vó fez diversas substituições (necessárias, pois todos devem ter oportunidade de mostrar seu futebol) deixando a volancia desguarnecida ou despreparada, e na somatória geral a equipe nem conseguia se defender e nem conseguia manter a bola no pé. Resultado: diversas investidas do Baldi FC, que acordou pro jogo. Foram 3 gols em 12 minutos. O empate que no reinicio do jogo estava muito distante foi só questão de tempo. Descabelado na linha lateral, Vó foi voltando os atletas que iniciaram a partida, porém já era tarde. Em falta desastrosa dentro da área cometida por Bertaglia numeral 4, a vergonhosa virada aconteceu em cobrança de pênalti. 4 x 5.
Nada mais restou aos atletas do Sem Recurso FC a não ser lamentar mais uma vitória escapar pelas mãos.
Nota do repórter de campo, algumas frases captadas que ficam marcadas:
Atleta adversário: "Temos que marcar o 8 (Barduco), ele é o cabeça pensante da equipe"
Baldi, técnico/juiz: "Eu errei"
Vó: "Sem Sintonia no meio"
Inácio, retornando ao banco no final do segundo tempo: "Bom só sei que eu entrei e o time tomou 5 gols"